terça-feira, 17 de março de 2009

Tonico e Tinoco são os maiores reis do sertão


"Tonico e Tinoco começaram com tudo isso", resume Sérgio Reis. "Foi no programa deles que ouvi "O Menino da Porteira" pela primeira vez", lembra o cantor, que ficou famoso com sua interpretação dessa canção. Não há mesmo como contestar: a dupla paulista foi líder absoluta da votação, com 23 citações - e 11 músicas lembradas. A segunda colocada foi Inezita Barroso, com 12 votos. Tinoco, 88 (74 de carreira), ainda canta. Anda em dificuldades financeiras: teve um acidente vascular na perna e, pouco depois, sua mulher foi diagnosticada com câncer. "Plano de saúde, só para tosse comprida e unha encravada", brinca seu filho e empresário, José Carlos Perez, 49. Para pagar parte do tratamento, a família, que mora em um apartamento na Mooca, está rifando um de seus carros, um Gol 98. Tinoco, entretanto, ainda canta. Seu maior baque foi a perda do irmão, em 1994. Tonico escorregou numa escada e bateu a cabeça num vaso, pondo fim a uma parceria de 60 anos. "Desde quando meu avô trocou quatro galinhas numa viola e começamos a cantar em festas", conta Tinoco do Brasil, como gosta de ser chamado.

Folha de S. Paulo - Por Redação  

segunda-feira, 2 de março de 2009

Wired Music lança CD de Mad Hatter


Projeto de psytrance do brasileiro Daniel Younis lança seu primeiro CD. O nome é inspirado na maneira do artista enxergar o estilo nos dias de hoje. A principal influência é do Psytrance, com forte destaque para elementos de Techno.

Mad Hatter sempre marca presença nos principais festivais do Brasil como o Universo Paralello, Cachoeira Alta, Earthdance e Kaballah. Em 2008, o artista fez turnê no Japão e na Europa. Neste ano o artista tem confirmado uma apresentação na Alemanha.

Depois de lançar 18 faixas em compilações em todas as partes do mundo e um EP digital com os sucessos de venda Intelect, Dreams e Studiotan Remix (Earthling vs Poli), o artista lança seu primeiro CD.

No CD, existem músicas feitas com artista consagrado, como Shanti, e com futuras revelações como Bushman, Last man Standing e Cosmonet, e grandes remixes como o do GMS com a música ‘Animatrix’ e a ‘Gunts’ do Shanti & Bushman.

Sucessos já testados nas pistas e que fará parte dos cases de muitos DJs: One Mind One Vision, Hypnose e Mad Hatter vs Shanti vs Cosmonet – ‘Dirty Sanchez’, um som hard tecnho bem diferente de tudo que tem rolado na cena.

Este CD é uma excelente compra para o amante da boa música eletrônica.

Tracklist:

1. MAD HATTER - One Mind One Vision
2. MAD HATTER, COSMONET & SHANTI - Dirty Sanchez
3. MAD HATTER - Blade Runner
4. GMS - Animatrix (MAD HATTER RMX)
5. MAD HATTER – Hypnose
6. MAD HATTER VS COSMONET - Intelect (2008 rmx)
7. SHANTI & BUSHMAN - Gunts (MAD HATTER REMIX)
8. MAD HATTER – Dreams
9. MAD HATTER & LAST MAN STANDING – Seduction

Gravadora:
Label: Wired Music
Data de lançamento: 25/03/2009
Faixas: 9 tracks
Formato: CD, Digital e Mobile

“Nossa proposta é levar a música eletrônica brasileira para o exterior, lançando os nossos DJs no mercado mundial; e em contrapartida, facilitar o acesso do público brasileiro aos grandes DJs estrangeiros, licenciando os CDs para serem produzidos no Brasil, que são comercializados a um custo mais baixo”, diz Cassiano Mendes da Wired.


Informações sobre o artista:
www.myspace.com/madhatterbrasil  

Mais informações:
http://www.beatport.com/labels/wired+music
http://www.wiredmusic.com.br
http://www.myspace.com/wiredmusicbrasil
http://www.rc2music.com

Music News - Por Marcelo Malanconi  

CD coleta as gravações iniciais dos Golden Boys


Ao arrebentar nas paradas em janeiro de 1965 com o raro compacto no qual lançou Erva Venenosa (versão de Poison Ivy que seria regravada pelo grupo Herva Doce nos anos 80 e por Rita Lee no CD 3001, de 2000), o grupo Golden Boys já era dono de discografia bem regular. Sim, o quarteto vocal lançava discos desde 1958, ano em que foi contratado pela extinta gravadora Copacabana. Nem todas disponibilizadas no formato digital nas coletâneas editadas pela EMI Music, gravadora que adquiriu o acervo da Copacabana, as gravações iniciais do grupo foram coletadas no CD duplo Os Golden Boys (capa à esquerda) - nas lojas em março de 2009 com distribuição da Coqueiro Verde Records. Seus fãs poderão ouvir com som remasterizado registros como Estúpido Cupido (1959) e Twist do Amor (1963). A seleção vai de 1958 a 1965 e reconta toda a (pré-)história do grupo dos garotos de ouro.

Blog Notas Musicais - = Por Mauro Ferreira 

Alma não tem cor


Em 1973, quando davam seus primeiros passos profissionais, Daryl Hall e John Oates se apresentaram para uma pequena platéia no Troubadour, em Los Angeles. Foi o primeiro show da dupla na cidade. Em 23 de maio de 2008, passados 35 anos, os consagrados mentores do Blue-Eyed Soul, a soul music feita na Philadelphia por músicos brancos, retornaram à casa para um empolgante show com base acústica. Acaba de sair no mercado norteamericano uma edição especial de Live At The Troubadour que traz CD duplo e DVD com a apreentação na íntegra. Mostrando excelente forma - Daryl nos vocais, violão e teclado, Oates nos vocais e violão - e acompanhados por ótima banda (com destaque para a presença do lendário guitarrista T-Bone Walker), Daryl Hall e John Oates recriam clássicos como I Can't Go For That, Kiss On My List, She's Gone, Sara Smile, Say It Isn't So, Kiss On My List, One On One, Maneater, Private Eyes e Everything Your Heart Desires, num total de 19 canções. Showzaço, que merece figurar em qualquer acervo soul/pop de qualidade. 

Site Oficial: www.hallandoates.com  

DARYL HALL & JOHN OATES 
Live At The Troubadour - Edição Especial c/ CD duplo e DVD 
U-Watch Records/Shout! Factory - USA.

Blog Acordes - Por Toninho Spessoto

Com maestria, Tiso orquestra o samba e o jazz


Além de ambos descenderem da mesma negra e forte matriz africana, o samba e o jazz têm (sutis) parentescos harmônicos de raiz européia, evidenciados sobretudo pela Bossa Nova. No disco Samba e Jazz - Um Século de Música, editado pelo selo Trem Mineiro, Wagner Tiso enfatiza afinidades entre os dois gêneros, encerrando a trilogia de fusões iniciada em 1997 com Debussy e Fauré Encontram Milton e Tiso (1997) e continuada com Tom e Villa (2000). Com antecedência de oito anos, o subtítulo Um Século de Música se refere ao fato de tanto o samba como o jazz terem chegado ao disco no mesmo ano de 1917 no Rio de Janeiro (Pelo Telefone, tema de Donga e Mauro Almeida) e nos Estados Unidos (Tiger Rag, da Dixieland Jazz Band, uma big-band branca radicada em Chicago), respectivamente. Como é regra em álbuns de Tiso, Samba e Jazz seduz pela maestria com que o maestro e pianista orquestra o repertório, que alterna temas dos dois gêneros nas 12 faixas, originadas de um período amplo que vai dos anos 20 aos 90. A exuberância dos arranjos salta aos ouvidos em temas como o Samba do Grande Amor (Chico Buarque, 1983) - erroneamente grafado no encarte e na contracapa como Samba 'de um' Grande Amor. Aliás, a orquestração mais engenhosa é a do samba que abre o disco, Volta a Palhoça, de Sinhô (1888 - 1930). Inédito em disco, o samba amaxixado de Sinhô é embalado com arranjo que evoca o suingue das big-bands, orquestras pioneiras que estavam em evidência no jazz na mesma década de 20 em que o também pioneiro compositor abriu caminho para o samba no Brasil - até sair precocemente de cena. Do lado de cá, Tiso dá tonalidades jazzísticas a sambas como Folhas Secas (Nelson Cavaquinho, 1973) e Quando o Samba Chama (Paulinho da Viola, 1996). Do lado de lá, o pianista - que aprendeu a cultuar o jazz nas antenadas esquinas mineiras - saúda mestres como o trompetista Miles Davis (1926 - 1991) e os também pianistas Bill Evans (1929 - 1980) e Count Basie (1904 - 1984). De Davis, Tiso revive Tune Up e Solar. De Evans, evoca as sutilezas harmônicas no medley que junta Smoke Gets in your Eyes, What Is There to Say? e Young and Foolish. De Basie, líder de orquestra suingante, a reverência é feita através de Shiny Stockings e April in Paris. Enfim, um grande CD - um dos melhores e mais arrojados da discografia de Wagner Tiso - que embaralha os ritmos e alarga fronteiras de dois gêneros que, em maior ou menor grau, norteiam este notável século de música. 

Resenha de CD 
Título: Samba e Jazz - Um Século de Música 
Artista: Wagner Tiso 
Gravadora: Trem Mineiro

Blog Notas Musicais - Por Mauro Ferreira 

O U2 em show no topo de um edifício, em Londres


Quando eu disse ao taxista que me levou do aeroporto ao hotel que tinha vindo a Londres por causa do U2, ele logo perguntou: "Por quê? Bono está lançando mais uma campanha para salvar o mundo?". Se a primeira coisa que vem à cabeça de uma pessoa comum quando se fala da maior banda de rock do planeta NÃO é algo relacionado à música, é porque alguma coisa vai mal. O 12º álbum de estúdio do conjunto irlandês, "No Line on the Horizon", lançado no Reino Unido na última sexta e que chega ao Brasil nesta semana (já tendo comercializadas 60 mil cópias em pré-venda), parece ser uma tentativa do grupo de amenizar a desgastada e folclórica imagem do "Bono político", ativista de causas nobres do Terceiro Mundo. Agora, ele reaparece com o look de roqueiro futurista, parecido com o que apresentou em "Achtung Baby" (1991). Também demonstra ter se dado conta de que, se não retraísse esse impulso, o U2 começaria a perder importância e influência artística. Em entrevistas recentes, os companheiros mostraram insatisfação com as incessantes campanhas do vocalista. O baterista Larry Mullen Jr. disse que ele tinha ido longe demais ao se aproximar do ex-premiê Tony Blair. Enquanto o guitarrista The Edge vem falando em seu ouvido que Bono tinha de se lembrar de que é, antes de tudo, um artista. "A Guerra do Iraque estava avançando, mas nós estávamos preocupados com nossas famílias e com nossa música", disse o cantor, sobre o processo de gravação do álbum, ao pequeno público formado por ouvintes da rádio BBC1 e jornalistas que assistiram pela primeira vez ao vivo à execução de algumas faixas do novo trabalho, no auditório da emissora, em Londres. O cantor, ainda, reforçou a importância do "amor" no CD, dedicando canções a uma grávida sentada diante ele. No repertório, estava "Get on Your Boots", com sinais da nova fase na letra ("Não quero falar de guerra entre nações"). "Magnificent" e "Breathe" evidenciam a potência da guitarra de Edge, que hoje precisa de um imenso aparato de apoio que assusta à pequena distância, e cuja função é fazer com que soe de modo vigoroso com sua célebre marca estilística. A apresentadora da emissora, Jo Whiley, perguntou sobre a próxima turnê. Bono disse que no meio do ano devem colocar o pé na estrada, mas não adiantou datas ou locais. Apenas afirmou que estão preocupados com o efeito da crise mundial. Conhecido pelos concertos grandiosos, voltados para públicos de estádio, o U2 coloca-se um novo desafio. 

NO LINE ON THE HORIZON 
Artista: U2 
Lançamento: Universal 
Quanto: R$ 35, em média.

Folha de S. Paulo - Por Sylvia Colombo 

Som Livre altera logo para marcar seus 40 anos


A partir deste domingo, 1º de março, a Som Livre adota nova logomarca, criada a partir da anterior para remeter aos 40 anos da gravadora, festejados em 2009. A logomarca (foto) comemorativa das quatro décadas da empresa já poderá ser vista nos CDs que chegam às lojas a partir deste mês de março. Entre eles, a coletânea Djavan por Eles & por Elas - songbook duplo com 28 músicas do compositor alagoano cantadas por um time que vai de Ivete Sangalo (Tanta Saudade) a Maria Bethânia (Álibi), passando por Chico Buarque (A Ilha) e Ney Matogrosso (Nobreza) - e a trilha sonora indiana da novela Caminho das Índias. Em abril, a gravadora lança o primeiro disco da cantora paulista Maria Gadu, promessa de revelação para 2009 (e grande aposta da Som Livre).

Blog Notas Musicais - Por Mauro Ferreira 

Morre Walter Silva, o Picapau


Waltecir Paulo da Silva, o Walter Silva, ou como era mais conhecido, o Picapau, morreu nesta sexta-feira, 27, no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. A poucos dias de completar 76 anos de idade, cardiopata e portador de insuficiência cardíaca e renal, o jornalista, radialista, produtor musical e um dos grandes fomentadores da bossa nova não suportou um “choque séptico em função de abcesso pulmonar”, segundo publicou neste sábado o jornal Folha de S. Paulo. 

Apaixonado por música brasileira, Picapau começou sua carreira profissional em 1952, aos 19 anos, na Rádio Piratininga. Passou pela Cultura (1954) já como locutor e apresentador, pelas cariocas Mayrink Veiga, Mundial (1955) e Nacional (1956) e, em 1957, assumiu a cadeira de Diretor de Divulgação da novata gravadora RGE (SP), ao mesmo tempo em que lançou seu programa Toca do disco na Rádio Record. No entanto, o programa que o eternizou foi lançado na Bandeirantes em 1958. Era O pick-up do Picapau. Por esta mesma rádio, representou o Brasil como repórter no histórico e polêmico Festival de bossa nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York em 1962. 

Após este ano, quando a bossa nova já não desfrutava do mesmo frescor no Rio de Janeiro, São Paulo se consolidou palco e mercado de intérpretes e instrumentistas do estilo moldado por João Gilberto e companhia. Picapau teve neste momento papel decisivo ao produzir e gravar shows no Teatro Paramount que fotografaram tanto a bossa nova quanto o nascimento do que se convencionou chamar de MPB. Alguns destes espetáculos entraram para a história, como Samba novo, Mens sana in corpore samba, Primeira dentisamba e O remédio é bossa, que revelou Elis Regina. Foram shows com gente do calibre de Chico Buarque, Yvette, Alaíde Costa, Walter Santos, Zimbo Trio, Wanda Sá, Cesar Roldão Vieira e Titulares do Ritmos. De todos, o mais frutífero (artístico e comercialmente) foi O fino da bossa, realizado nas noites de 9, 10 e 11 de abril de 1965, com Elis e Jair Rodrigues soltando os vozeirões em bossas e sambões com acompanhamento jazzístico do Jongo Trio. Os shows viraram o LP Dois na bossa, recordista de vendas naqueles anos. 

O pioneirismo de Picapau também marcou a gravadora Continental, que dirigiu em 1970. Lançou Célia, Pessoal do Ceará, Walter Franco e Secos & Molhados. 

Como desse para resumir num parágrafo, nos anos seguintes Picapau moldou o programa Mixturação (1973), com Walter Franco, Pessoal do Ceará, Simone e Haréton Salvanini; dirigiu o Fantástico (1975), da Rede Globo; foi narrador de futebol, passou pela TV Bandeirantes em 1980 e tocou o programa Mambembe, que revelou Thomas Roth. Também colaborou com jornais impressos e editou em 2002 o livro Vou te contar – Histórias de música popular brasileira. Nos últimos três anos, colocou sua voz e patrimônio no semanal Acervo Walter Silva, levado ao ar pela Rádio Cultura AM. 

Aliás, seu precioso acervo de gravações de shows, entrevistas e canções em 162 rolos de fitas e fotos foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2003. Segundo o site da entidade, o material ainda não está disponível para pesquisa. 

Uma das jóias que guardou por muitos anos – e que tentou lançar em disco - foi o histórico show de dois de agosto de 1962 na boate carioca Au Bon Gourmet, que reuniu no mesmo palco Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e o grupo Os Cariocas, além do baixista Otávio Bailey Jr. e do baterista Milton Banana. Foi nesta noite que as músicas “Garota de Ipanema”, “Samba do avião”, “Samba da benção”, “O astronauta” e “Só danço samba” foram apresentadas pela primeira vez. Não é pouca coisa... 

Para sacar o astral deste registro e, consequentemente, a importância de Walter Silva, ouça o primeiro podcast que Dafne Sampaio, com produção de Daniel Almeida, ambos do Gafieiras, fizeram para a revista Monet, em 2008.

Gafieiras - Por Ricardo Tacioli

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PESQUISA DE AUDIÊNCIA FM na Ilha de São Luís


Ranking das emissoras de rádio de São Luís -Audiência geral -Todos os dias

957.515 habitantes 
Homens: 444.274 
Mulheres: 513.241



1  Mais FM 145                                           30,92% 
2  Difusora FM 82                                      17,48% 
3  Cidade FM 72                                         15,35% 
4  Jovem Pan 71                                        15,14% 
5  Esperança FM 32                                   6,82% 
6  Mirante FM 30                                        6,40% 
7  105 FM 28                                                 5,97% 
8  Universidade FM 9                                 1,92% 

Fonte: CONSULTORES ASSOCIADOS

Marchinhas agonizam, mas não morrem em CD

Nos últimos anos, a Fundição Progresso tem promovido no Rio de Janeiro (RJ) bem-vindo concurso nacional de marchinhas carnavalescas para revitalizar o gênero que, dos anos 30 aos 50, foi o principal fornecedor de repertório para a folia. O CD As Melhores Marchinhas do Carnaval 2009 reúne as 10 inéditas marchinhas finalistas da 4ª edição do concurso, que vai eleger a vencedora neste domingo, 8 de fevereiro de 2009. A safra é irregular, mas inclui algumas boas marchinhas e sinaliza que o gênero agoniza, mas não morre. A julgar pelo disco, a marchinha vitoriosa deveria ser Bendita Baderna. Apesar de defendida com pouca animação pelo autor, Edu Krieger (inspirado compositor não vocacionado para o canto), a marchinha remete à época áurea do gênero. Inclusive pelo caloroso arranjo de metais e pela letra espirituosa, que puxa a orelha de Deus pela criação do Homem, o elemento desarticulador da harmonia do Mundo. Na mesma linha tradicional de Bendita Baderna, e com arranjo similar, há Todo Mundo Nu (Marchinha da Raspadinha), mas o autor e intérprete, Eduardo Dussek, não reedita sua habitual verve neste tema que prega a nudez. Falta o humor que sobra em A Mãe do Paulo, marchinha maliciosa composta e cantada por Jorge Poeta. A partir de situação do cotidiano (uma mãe que quer embarcar o filho pela porta da frente do ônibus), Poeta criou delicioso verso de duplo sentido ("O motorista quer o Paulo atrás"), típico dos bailes dos antigos carnavais. Há também irreverência n'A Marcha do Fim do Mundo, na qual os autores Fito Bucha e Ramon Ramon brincam com a possibilidade de extinção do planeta. Quem defende a brincadeira é um coletivo de cantores formado por Alfredo Del Penho, Clarice Magalhães, Lali Maia e Pedro Paulo Malta - o mesmo quarteto que une vozes em Fui Eu!, marchinha de Nello. Já Velhinha Animada, composta e cantada por Vera Holanda (com adesão vocal do Coralito), não faz jus ao título. Da mesma forma que Paixão de Praia - marcha de Galvão Frade, defendida por Moyséis Marques - também não empolga. Já Canoa Furada, composta e gravada por Siba, se impõe na seleção por procurar se desvincular do tradicional formato melódico e rítmico das marchas. É a composição mais ousada, embora não necessariamente a mais empolgante de um concurso que termina neste domingo com a entrega ao vencedor do Prêmio Carmen Miranda. É um tributo à Pequena Notável pelo centenário de seu nascimento. Daí a inclusão no CD de duas faixas-bônus cantadas pela hors-concours Soraya Ravenle, Mamãe Eu Quero e Pra Você Gostar de mim (Ta-Hi), dois sucessos carnavalescos da pioneira Carmen Miranda (1909-1955), a eterna campeã da folia brasileira. 

Resenha de CD 
Título: As Melhores Marchinhas do Carnaval 2009 
Artista: Vários 
Gravadora: Viva Brasil/Fundição Brasil 
Cotação: * * *

Blog Notas Musicais - Por Mauro Ferreira